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terça-feira, janeiro 19, 2016

As melhores leituras de 2015

    O ano mal começou mas acho que ainda posso fazer listas e retrospectivas sobre 2015, pois queria muito registrar meus livros favoritos e minhas impressões sobre eles durante o ano. Eu tinha jurado que não iria mais comprar livros até não ler todos de minha estante, clássicas mentiras de aficionados por literatura, mas não posso dizer que me arrependo de não ter cumprido a essa promessa pois me atrevo a dizer que as promoções valeram a pela cada centavo gasto. Pois bem, eis os livros que li em 2015:

A Dança dos Dragões - George R. R. Martin
    Eu fiquei um ano enrolando nesse livro, li metade, fui ler outras coisas, voltei a ler lentamente até pegar o ritmo e conseguir terminar. A Dança dos Dragões, infinitamente melhor que seu sucessor, O Festim dos Corvos, termina com o já esperado ar de "continua" e graças ao Tio George Martin, nós continuamos na espera.



O Pequeno Príncipe - Antoine de Saint-Exupéry
    Acredite ou não eu nunca tinha lido O Pequeno Príncipe, aquisição feliz de uma promoção online, esse livro me fez entrar em um estranho estado de melancolia. Sentei pra ler com meus posts-its do lado mas desisti de usá-los quando percebi que estava colando um em cada página.

 “Quando a gente anda sempre em frente, não pode ir muito longe.”




Hollywood 
    Primeiro livro que leio do Bukowski, já escrevi uma resenha sobre ele aqui. A escrita dele é simples mas os temas são profundos, quando não obscenos, e extremamente relacionáveis. O poderia ser melhor que poesia sobre como a vida é uma merda?

    "A simplicidade é sempre o segredo para uma profunda verdade, para fazer as coisas, para escrever, para pintar. A vida é profunda em sua simplicidade. (...) Contudo todos nós precisamos de fuga. As horas são longas e têm de ser preenchidas de algum modo até nossa morte. E simplesmente não há muita glória e sensação para ajudar. tudo se torna logo chato e mortal. Acordamos pela manhã, jogamos os pés para fora da cama, colocamo-los no chão e pensamos ah, merda, e agora?"



10 anos de Mafalda - Quino
    Mafalda é a melhor pessoa que já existiu, na literatura pelo menos. Esse livro reúne 10 anos de tirinhas da personagem, separadas por temas e personagens.



O Retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde
   Apesar de ter demorado um pouco pra ler eu adorei essa obra clássica, não só por sua ambientação vitoriana, que sempre me ganha não importa o quê, mas pelas metáforas da narrativa e personagens intrigantes. 

    "Os únicos artistas que conheci pessoalmente deliciosos eram maus artistas. Os verdadeiros artistas só existem no que produzem e, conseguintemente, as suas pessoas não oferecem interesse algum. Um grande poeta, um verdadeiro grande poeta, é o mais prosaico dos seres. Os poetas inferiores, porém, são os homens mais sedutores. Quanto pior sabem rimar, mais pitorescos se tornam. O simples fato de haver publicado um livro de sonetos de segunda ordem torna um homem perfeitamente irresistível. Este vive o poema que não consegue escrever; os outros escrevem o poema que não ousam realizar."



Razão e Sensibilidade
    Comecei meu primeiro romance de Jane Austen um tanto quanto relutante e entediada, sem muitas esperanças de gostar da trama que imaginava que me esperava pela frente, porém, conforme cada capítulo acabava eu me via cada vez mais envolvida na escrita da autora. Eu adoro o modo como ela faz críticas importantes á sociedade de forma sútil e cômica. 

    "Detesto jargões de qualquer espécie e, as vezes, guardo  meus sentimentos apenas para mim porque não consigo encontrar palavras para descrevê-los, a não ser termos que se tronaram tão batidos e vulgares que perderam todo sentido e expressão"


Essas foram as leituras dignas de nota de 2015, o que vocês andaram lendo?

terça-feira, junho 30, 2015

Clube do livro: Hollywood - Charles Bukowski


    O que eu lia ou ouvia falar por ai de Charles Bukowski é que era uma leitura muito profunda, só para os espertos. Minha curiosidade só aumentava a cada citação que me deparava pela internet, e de repente, lá estava eu, lendo meu primeiro romance escrito pelo autor. Nessa experiência lendo Hollywood, descobri que Bukowski é mesmo um cara profundo, mas ainda sim extremamente simples, escreve a realidade nua e crua, sem rodeios, sem metáforas, o que acaba criando um grau de identificação gigantesco a cada parágrafo que se lê.

Sinopse: “Henry Chinaski, escritor de meia-idade de relativo sucesso e com um público fiel, é contratado por uns bacanas de Hollywood para escrever um argumento cinematográfico. Entre eles está Jon Pinchot, um diretor visceral e incansável que fará de tudo para ver o argumento de Chinaski transformado em filme. O romance narra todas a produção do filme, desde as dificuldades para conseguir um estúdio que o aceitasse até sua estréia.”

O livro é altamente biográfico, Bukowski usa seu alter-ego para contar sua experiencia ao escrever o roteiro para o filme Barfly, no caso do livro, A Dança de Jim lee, onde o autor seria Chinaski, que odeia cinema mas decide escrever um argumento mesmo assim pelo dinheiro.
A narrativa é cheia de diálogos incríveis e cenas muito engraçadas, e no final de cada capítulo eu sempre me pegava perguntando o quanto daquilo seria realmente verdade.

Hollywood foi o primeiro livro de Bukowski que li mas com certeza vou buscar mais obras do autor. Como sempre minhas resenhas pobres, então vou deixar aqui o link de uma ótima crítica (certamente melhor que a minha) sobre o livro.

Uma das minhas citações favoritas:

"A simplicidade é sempre o segredo para uma profunda verdade, para fazer as coisas, para escrever, para pintar. A vida é profunda em sua simplicidade. (...) Contudo todos nós precisamos de fuga. As horas são longas e têm de ser preenchidas de algum modo até nossa morte. E simplesmente não há muita glória e sensação para ajudar. tudo se torna logo chato e mortal. Acordamos pela manhã, jogamos os pés para fora da cama, colocamo-los no chão e pensamos ah, merda, e agora?"

segunda-feira, outubro 13, 2014

Resenha: O Guia do mochileiro das Galáxias


    "Existe uma teoria que diz que, se um dia alguém descobrir exatamente para que serve o universo e porque ele está aqui, ele desaparecerá instantaneamente e será substituído por algo ainda mais estranho e inexplicável. Existe uma segunda teoria que diz que isso já aconteceu."

     O guia do Mochileiro das Galáxias é uma série de livros de ficção científica escritos por Douglas Adams que originalmente era transmitida pela rádio, e que mais tarde foi adaptada para outros formatos, livros, jogos, series para tv, filmes e HQ's. Adams começou a escrever O Guia no final dos anos 70 e só terminou 13 anos depois, quando em 2001 morreu de um ataque cardíaco


   Eu comecei minha viajem pela galáxia junto á minha toalha á alguns meses atrás, ano passado na verdade, e ela só teve fim ontem, quando finalmente terminei de ler o ultimo livro da saga intergaláctica mais famosa do universo. O que impressiona na história é que, mesmo sendo escrita a quase cinquenta anos continua sendo muito atual, é o tipo de jornada atemporal que não importa a  época em que você leia, ela sempre irá tratar de assuntos polêmicos e discutidos por todos, como a vida o universo e tudo mais, de forma irônica e bem humorada.



    
    Tudo começa com Arthur Dent, um britânico que só quer levar sua vidinha comum em sua casinha comum bebendo seu chá. Mas a vida aparentemente perfeita de Arthur parece desmoronar quando seu planeta, a Terra, é demolida por seres intergalácticos para dar lugar a uma via expressa hiperespacial. Felizmente - ou não - Arthur consegue escapar, graças ao seu amigo (e sua toalha - objeto muito importante para todo mochileiro), também alienígena, Ford Prefect. E é ai que as desgraças começam, elas seguem Arthur, que não é lá muito aventureiro, e junto do cara de roupão  - um guia, uma toalha e um peixe babel -  conhecemos o Presidente da Galáxia, Zaphood Beblebox, Trillian, aparentemente a ultima humana sobrevivente depois de Arthur, Marvin ♥ um robô super inteligente e por isso depressivo, os Vogons, Elvis Presley e até o Thor, em torno de aventuras e questões filosóficas como a vida, política, religião e relógios digitais.


E tem outra coisa...

    O final de Praticamente Inofensiva, quinto e ultimo livro da serie do Guia é um tanto quanto sombria, o próprio Adams não estava satisfeito e planejava mais um livro para essa trilogia, mas com sua morte isso nunca aconteceu. Foi quando Eoin Colfer surgiu e, com autorização da família de Douglas e afins, escreveu E Tem Outra Coisa. 
    É de se esperar algum estranhamento dos fãs da saga ver um novo autor escrevendo sobre personagens já tão bem conhecidos. Confesso que no inicio não queria ler, mas o livro foi parar em minhas mãos e a curiosidade foi maior. Colfer consegue dar vida pela ultima vez ao universo dos mochileiros, implanta novos elementos e deixa a leitura leve e divertida, mesmo assim, muito longe da complexidade de Adams. Senti falta dos personagens principais, como o Arthur e Ford, que parecem servir apenas como plano de fundo para o desenrolar da historia sobre a fundação de um planeta, que serve de critica á religião e á política.

    Enfim, os infortúnios intergalácticos de Arthur são um clássico da ficção científica, a toalha é o símbolo do orgulho nerd, com seu próprio dia comemorativo, que já foi citado aqui antes. Douglas Adams conseguiu transportar milhares de fãs de ficção pela galáxia´, "previu" os e-books e  quem sabe o que mais, talvez algum dia estaremos viajando com ajuda de geradores de improbabilidade finita.

Até mais, e obrigada pelos peixes!

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